Sobre o Sindicato

Um caso. Muitas vozes.

Como Começou

Um trabalhador foi explorado. Um caso virou uma plataforma. Muitas vozes estão prestes a se tornar impossíveis de ignorar.

Esta plataforma existe porque uma empresa não me pagou e, quando levantei o assunto, cortaram meu acesso. Depois descobri que outras pessoas tinham passado pela mesma coisa, do mesmo jeito, nos mesmos projetos, na mesma sequência de fatos. A cada um de nós disseram que estávamos sozinhos. Cada um de nós acreditou. Nenhum de nós estava.

O Sindicato é a infraestrutura que garante que ninguém precise passar por isso sozinho.

De um caso a um registro

O Sindicato começou com a fatura não paga de um trabalhador e uma pergunta simples: quantas pessoas passaram pela mesma coisa?

A resposta não era uma história só, mas um padrão: trabalho não pago, mensagens ignoradas, contas encerradas, projetos que acabaram sem uma palavra e silêncio, repetidos entre plataformas e países. Reclamações individuais desaparecem. Um registro público e compartilhado, não.

É isso que o Sindicato é: um lugar onde os trabalhadores relatam, com as próprias palavras, como foram tratados em um projeto, seja trabalho não pago, uma ameaça ou um líder que nunca respondeu, e onde esses relatos se somam em um registro que trabalhadores, jornalistas, advogados e empresas podem usar.

O Padrão

O que descobri depois do meu próprio caso me chockou, embora não devesse. Eu não fui o primeiro. Não fui o quinquagésimo.

Nos setores de treinamento de IA, entregas por aplicativo e plataformas de freelancers, os trabalhadores relatam as mesmas sequências: pagamento que para, mensagens sem resposta, remoção repentina de um projeto, retorno que nunca chega. As linhas do tempo se repetem. Não são erros isolados. São padrões, e um padrão pode estar numa empresa inteira ou em um projeto e nas pessoas que o conduzem.

Os trabalhadores falam sobre isso no Reddit, no Glassdoor, no Trustpilot e em fóruns independentes, uma conversa de cada vez. O Sindicato reúne esses relatos separados em um só lugar.

O Sindicato torna esses padrões visíveis. Não para punir, mas para criar responsabilidade.

O Modelo

O modelo de uberização — pioneiro com a Uber e replicado em entregas de comida, treinamento de IA, marketplaces de freelancers, plataformas de terapia, aplicativos de limpeza, serviços de anotação de dados — compartilha uma estrutura idêntica em todos os lugares onde aparece:

Os trabalhadores são classificados como prestadores independentes, não como empregados. São recrutados de propósito em países onde as moedas são mais fracas e as opções legais são menores. O pagamento passa por plataformas que a empresa controla sozinha. A resolução de disputas é uma caixa-preta operada pela mesma parte com quem você está em disputa. Os termos de uso são escritos para proteger a plataforma, não o trabalhador. Não há negociação coletiva. Não há sindicato. Não há ninguém para quem ligar.

Essa arquitetura permite que as plataformas contratem trabalho sem assumir as obrigações de um emprego. Os trabalhadores de países com moedas mais baixas costumam ser os mais expostos, porque têm menos chance de conhecer suas opções legais, menos chance de pagar por uma ação individual e mais urgência econômica, o que torna a resistência cara e o silêncio racional.

Reclamações individuais são ignoradas. Trabalhadores isolados não têm poder de negociação. Advogados raramente aceitam causas individuais de pequeno valor. A pressão nas redes sociais é passageira. Uma pessoa gritando no vazio não muda nada.

Juntos, nossas vozes se tornam impossíveis de silenciar. Este é o problema de ação coletiva que o Sindicato foi construído para resolver.

Como Funciona

O Sindicato é uma plataforma digital de direitos trabalhistas. Os trabalhadores publicam seus casos com as próprias palavras e com a própria declaração de veracidade. A plataforma agrupa os relatos individuais por empresa e por projeto, mostrando o que os trabalhadores relatam e quantos relatam a mesma coisa.

Funciona como um sindicato de trabalhadores moderno:

Os trabalhadores registram seu caso. Ele aparece publicamente no mural de casos, com o nome parcialmente oculto e o relato visível. Se o trabalhador concordar, o Sindicato avisa a empresa quando o caso é registrado. Os números se somam na página da empresa, para que os padrões fiquem visíveis.

O Sindicato é grátis para todos: trabalhadores, empresas, advogados, imprensa e instituições. Não há taxas de acesso, contato pago nem comissão por indicação. Os dados de contato nunca são compartilhados sem o consentimento do trabalhador, e advogados ou empresas só conseguem falar com os trabalhadores que aceitaram. Os trabalhadores são donos das suas reivindicações. O Sindicato oferece a plataforma, não o veredito.

O Sindicato não aceita dinheiro de investidores, anunciantes, empresas listadas na plataforma nem advogados. Funciona com doações voluntárias de trabalhadores, advogados, jornalistas e qualquer pessoa que acredita que os trabalhadores devem ser tratados com justiça.

O Sindicato nunca verifica, endossa nem afirma reivindicações individuais. Os trabalhadores respondem pelas próprias palavras, sob a própria responsabilidade legal. A plataforma é um quadro de avisos. Os trabalhadores publicam. O Sindicato exibe.

O Que Nunca Faremos

Estes são inegociáveis:

  • O Sindicato nunca lucrára com casos de trabalhadores.
  • O Sindicato nunca cobrará de ninguém pelo acesso: nem de trabalhadores, empresas, advogados, imprensa ou instituições.
  • O Sindicato nunca publicará seus documentos privados. Os arquivos que você enviar permanecem privados, só seus, a menos que você escolha compartilhá-los.
  • O Sindicato nunca verificará nem afirmará reivindicações individuais.
  • O Sindicato nunca removerá casos em troca de pagamento.
  • O Sindicato nunca alterará números ou depoimentos por qualquer motivo comercial.
  • O Sindicato nunca aceitará publicidade.
  • O Sindicato nunca aceitará financiamento de capital de risco.
  • O Sindicato nunca receberá uma porcentagem de acordos de trabalhadores.
  • Não pedimos dinheiro às empresas listadas nesta plataforma, e nenhum pagamento pode alterar ou remover um caso.
  • Não pedimos dinheiro a escritórios de advocacia ou advogados, e nenhum pagamento pode alterar ou remover um caso.

Estes não são valores aspiracionais. São a integridade da plataforma e sua proteção legal, simultaneamente. Não podem ser negociados, trocados ou comprometidos — porque no momento em que forem, o Sindicato se torna parte do sistema que foi construído para combater.

Registrar um Caso

O Sindicato é grátis para todos, e nenhuma empresa pode pagar para ter um caso removido. O silêncio ajuda quem se beneficia dele. A visibilidade ajuda todos os outros.

Se você não foi pago por um trabalho que concluiu, se sua conta foi desativada depois de você fazer uma pergunta, se o líder de um projeto parou de responder, se você foi removido sem motivo, ameaçado, ridicularizado ou ficou sem como recorrer, você não está só. Não precisa ser ilegal para contar. As coisas pequenas também importam, porque juntas mostram como um projeto é conduzido.

Registre um caso. Conte sua história com as suas palavras. Deixe os relatos se somarem.

A porta está aberta.

Saiba mais:

Sindicato — sindicato.report

Construído a partir de um caso. Construído para todos que vierem depois.

Nosso Compromisso

  • Sem dinheiro. Sem condições. Sem negócio.

    O Sindicato não aceita dinheiro de investidores, anunciantes ou qualquer empresa listada nesta plataforma. Nunca. Funciona com o apoio voluntário de trabalhadores, advogados, jornalistas e qualquer pessoa que acredita que os trabalhadores devem ser tratados com justiça. Sem pressão. Sem comercialização. Sem negócio. Comunidade construída para a comunidade.

  • Grátis para todos. Sempre.

    Registrar um caso, ler casos e usar todas as ferramentas do Sindicato é gratuito para trabalhadores, empresas, advogados, imprensa e instituições. Sem assinaturas. Sem taxas de acesso. Sem contato pago. Sem comissões por indicação.

  • Independente e mantido por voluntariado. Transparência financeira total.

    Cada real que entra e sai é publicado. Sem caixas-pretas. Sem bônus executivos. Sem expectativas de acionistas.

  • Os trabalhadores são donos das suas reivindicações. Nós amplificamos suas vozes.

    Fornecemos a plataforma, não o veredito. Os trabalhadores controlam sua história, sua identidade e sua estratégia legal em cada etapa.

  • Privacidade desde a origem.

    A história do seu caso é pública na plataforma. Seu e-mail nunca é exibido, e seu nome aparece apenas parcialmente ocultado. O contato com empresas e advogados passa por um alias anonimizado, a menos que você decida compartilhar mais. Um registro público com data e hora também pode ser uma prova útil, se você algum dia precisar. Isto é informação geral, não aconselhamento jurídico.

  • Identidade é uma escolha.

    Os trabalhadores escolhem quando e se compartilham sua identidade ou dados de contato. O anonimato nunca é uma barreira para registrar um caso.

  • A resolução é o objetivo.

    O Sindicato existe para criar responsabilidade e resolução — não punição. Toda empresa que se envolve é uma empresa que escolheu ouvir. Isso importa.